Verão que rima com proteção

Em tempos de pandemia, o veraneio permite diversão e lazer de forma moderada. A gente dá dicas de lugares, dias e horários para você aproveitar as belezas da região de Carajás

Todo julho, em Marabá, ou em qualquer lugar do Brasil, rima com férias, lazer, diversão. E em tempos de pandemia? Bem, aí, também há rima, mas ela precisa estar cercada de cuidados para evitar contrair covid-19, protegendo a si e aos familiares. 

Mas o julho do marabaense sempre foi marcado por muito sol, rios, praias a vontade, piscina ou outro tipo de lazer. Agora em julho, o governo do Estado colocou toda a região de Carajás em Bandeira Amarela, que representa risco intermediário de contágio pela doença. 

Neste especial, o CORREIO DE CARAJÁS dá dicas ao leitor sobre locais e horários que estão abertos espaços públicos e privados com relativo grau de segurança para os visitantes. 

Praia do Tucunaré, Praia do Lençol & Cia, clubes, zoobotânicos, locais seguros para ciclismo, atletismo, cachoeiras, águas termais, entre outros atrativos diversos que estão presentes na região de Carajás, com até 300 km de Marabá, permitindo até mesmo ir e retornar no mesmo dia.

Você não precisa deixar de viajar agora, mas é uma boa ideia embarcar com segurança rumo às praias de Marabá, Bom Jesus do Tocantins, São Geraldo do Araguaia, São João do Araguaia e Palestina do Pará. E para isso, quanto menos gente, melhor! Prepare a bagagem e boa viagem! Simbora para a praia! 

PRAIAS: FUJA DA AGLOMERAÇÃO

Férias na praia é o sonho de muita gente para quando terminar sua quarentena. E quando a praia não é lotada, oferece uma experiência segura de desconfinamento. Felizmente, Marabá e região oferecem muitas praias paradisíacas e semi-desertas, imunes a aglomerações, principalmente aos finais de semana. Em alguns dias da semana, a muvuca é opcional, mas não recomendamos, por questões óbvias.

Encontrar praias “secretas” e sem aglomeração é quase impossível, mas podemos garantir que essas dicas te levarão a faixas de areia bem mais vazias que o normal. Ideal para o período que estamos vivendo, no qual o mais recomendado é evitar praias com gente demais. 

PRAIA DO TUCUNARÉ é queridinha dos olhos dos marabaenses e de muitos moradores da região. Mas vive lotadas aos finais de semana. A dica para aproveitar esse local é ir durante a semana e pedir ao barqueiro para ficar em local mais reservado. São mais de 2 quilômetros de praia em frente à cidade, onde você pode se abancar com a família. 

Mas não esqueça de levar máscara para atravessar na embarcação, álcool em gel e cuidar da segurança das crianças na água. A travessia, que tem três pontos ao longo da orla, custa R$ 5,00 por pessoa. Mas atenção: por causa da pandemia, não está sendo permitido armar acampamento para passar a noite no balneário, como ocorre tradicionalmente.

A PRAIA DO MEIO é uma das melhores soluções para quem pretende ficar isoladão. Mas é preciso gastar um pouco mais, porque esse balneário fica localizado entre Marabá e Itupiranga, e o acesso é só de barco. A viagem demora cerca de 1 hora de barco. 

PRAIAS DE BOM JESUS-MARABÁ – A Praia do Espírito Santo, no Rio Tocantins, com acesso pelo núcleo São Félix, tem longa tradição de receber visitantes aos finais de semana. São 8 quilômetros até a vila Espírito Santo, que dá acesso ao rio. De lá, os veranistas alugam rabetas que ficam sempre à disposição e navegam por cerca de 10 minutos até chegar à praia.

PRAIA DO LENÇOL – Subindo a praia do Espírito Santo, há um conjunto de praias que se tornaram famosas em Marabá, mas que em verdade já estão localizadas no município de Bom Jesus do Tocantins. Mas o acesso é via São Félix. Quem vai de carro, segue por uma pista ao lado da Estrada de Ferro Carajás e depois cruza o Rio Flecheiras até chegar às placas que vão indicando as praias, à direita. A mais famosa é a do Lençol, mas também há Sossego, Bacabalzinho e a do Cari. Cada uma é a sequência da outra e há um valor cobrado para acesso: R$ 5,00 por pessoa, mas os “donos” da praia instalaram barracas com energia elétrica e cobram cerca de R$ 200,00 para um final de semana.

A 100 quilômetros de Marabá, a cidade de Palestina do Pará se torna um recanto para os veranistas que procuram nas águas do Araguaia descanso e distanciamento social, principalmente durante a semana, neste veraneio de 2021.

São João do Araguaia tem a famosa PRAIA DO CAJU, que durante a semana também é um paraíso deserto. Para chegar ao local, é preciso acessar a cidade de São João, alugar um barco e viajar até o outro lado do Rio Tocantins. Mas não podemos esquecer das praias de Apinajés, uma comunidade isolada à beira do Rio Araguaia, a cerca de 12 km de São João. Mesmo aos finais de semana, praticamente não há aglomeração.

A PRAIA DA GAIVOTA, em São Geraldo do Araguaia, também é muito apreciada, mas neste período só dá para aproveitar as belezas do lugar com distanciamento e segurança durante a semana, porque está muito procurada aos finais de semana.

Uma mão no leme, outra na máscara

O barqueiro Rudnei da Cruz – Nei como é conhecido – trabalha há mais de 10 anos na rampa da Colônia de Pescadores Z-30, no translado de passageiros para a Praia do Tucunaré, em Marabá.

Com grande expectativa pelo período do veraneio, Nei sabe que somente no último dia 1º de julho que as praias foram oficialmente liberadas através do decreto municipal.

“A gente estava trabalhando, as pessoas vinham até aqui para ir à praia. Não estava tendo nenhum tipo de fiscalização ou proibição aqui na rampa. Agora, com a liberação, estamos muito felizes de poder trabalhar mais tranquilos”.

De acordo com o decreto, os barqueiros e os passageiros precisam estar de máscara durante a travessia. Além disso, os barcos precisam ser higienizados a cada viagem. E Nei está ciente disso, inclusive ajudando colegas que por vezes estejam sem álcool em gel.

“O passageiro pode vir aqui que estamos trabalhando de forma segura e seguindo todas as normas de higienização. Inclusive, todos os nossos barcos possuem colete salva-vidas que são obrigatórios para a viagem”, explica.

Para ele, o mês de julho é o mais importante, pois tem a cara do verão. Com as pessoas indo com mais frequência para a praia – inclusive durante a semana – esse período é o de maior faturamento para o setor. Segundo Nei, não se pode reclamar de falta de trabalho durante este mês.

“As pessoas aproveitam essa bela praia. Acredito que até às 18h é um bom horário para curtir e brincar”, comenta sobre a proibição dos acampamentos que também está no decreto.

Praia combina com…segunda-feira

Com os termômetros beirando os 35 graus, o verão está com tudo em Marabá. A cidade que é banhada por dois rios, Itacaiunas e Tocantins, tem diversas praias e balneários que são capazes de encher os olhos de beleza e diversidade natural, fazendo um convite para relaxar e aproveitar o verão.

O CORREIO esteve na Praia do Tucunaré – a mais famosa e próxima do centro da cidade – em uma manhã de segunda-feira. Logo avistamos seu João Barros da Silva.

Aos 73 anos, ele reside em Mirador, no Maranhão, e decidiu passar uns dias na casa do filho no município de Parauapebas. 

Para aproveitar os dias ensolarados dessa época do ano, a família decidiu vir à Marabá e passar o dia na praia. “No meio da semana é bom, porque final de semana junta muita gente e aí pode prejudicar”, explica João.

Com cuidados sendo redobrados por conta da pandemia do coronavírus, ele sabe direitinho o que precisa fazer. “Eu me cuido sempre. Tomo minha vitamina todo dia, máscara, álcool em gel nas mãos, por onde ando vou com a minha bolsinha”.

As águas transparentes e mornas do Rio Tocantins encantaram o maranhense. “Eu estou achando muito bonita a praia. Mas não sei nadar, gosto de ficar sentadinho dentro d´água me molhando”, finaliza.

Terezinha: 45 anos de praia

Há 45 anos, ininterruptamente, Terezinha Rodrigues Sales, 74 anos de idade, monta sua barraca-restaurante na Praia do Tucunaré, em Marabá.

Na ilha localizada em frente à Velha Marabá, no Rio Tocantins, a mulher negra de riso fácil e olhar cativante criou 13 filhos com o sustento tirado de seu restaurante que fica no período do verão nas areias da praia. “Criei meus filhos aqui. Cheguei aqui uma nega nova, agora estou uma nega velha. Essa praia é tudo pra mim”, conta a dona Terezinha.

Com todos esses anos trabalhando no verão, a dona da barraca mais famosa da praia afirma que fez muitos amigos ao longo do tempo. Com muita alegria no coração, ela agradece pelo momento, que mesmo ainda em pandemia, pode exercer sua atividade para tirar seu sustento e dos filhos que trabalham com ela.

“Agradeço a Deus e ao prefeito por essa liberação. Geralmente a gente vem pra cá em abril ou maio, depende de como o rio está. Esse ano viemos agora dia primeiro de julho. Estamos esperando para trabalhar”.

Sobre o decreto, ela sabe que a fiscalização será rigorosa, por isso vai estar atenta aos detalhes, como garçons de máscara, distanciamento das mesas e disponibilidade de álcool em gel para todos os clientes.

“A gente vai se adaptar. O que a Vigilância Sanitária disser nós vamos fazer. Vamos trabalhar direitinho”, garante.

Mesmo com a idade avançada, dona Terezinha não para quieta. Enquanto o CORREIO esteve na Praia do Tucunaré próximo de sua barraca, ela não parou um só minuto, estava o tempo todo organizando e deixando tudo preparado para receber os banhistas no último final de semana.

Ela disse que pensava que nem estaria na praia esse ano. “Estou com diabetes, apareceram umas varizes e tive de operar. Mas Deus me ajudou a estar aqui mais este ano”, celebra.

Sobre a importância do Rio Tocantins na sua vida, ela é enfática em afirmar que o lugar é tudo pra ela. “Aqui eu conquistei dinheiro e tudo o que tenho na vida. Mas, o que mais conquistei mesmo foram amigos. Ter amigo é bom demais. E nesses 45 anos eu fiz muitos”, diverte-se.

Com grande expectativa para este veraneio, dona Terezinha afirma que reinstalar sua barraca na praia é uma conquista, e aguarda ansiosamente seus clientes aos sábados e domingos, mas também durante a semana. “Temos o tradicional tucunaré, carne de sol… podem vir, estamos aqui esperando todos. Nossa Marabá conquista muita gente com esse rio”, finaliza.

Clubes funcionam com restrições

O maior clube de Marabá está de portas abertas. Com algumas restrições e informações de orientações sobre o uso de máscaras e distanciamento social por todo o local, a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) está funcionamento com a capacidade reduzida no número de frequentadores.

Com a flexibilização de normas e decretos, o clube manteve um protocolo de proteção, com placas informativas quanto ao uso de máscaras – tanto pelos usuários como pelos colaboradores – álcool em gel disponibilizados em totens e redução de pessoas em alguns setores.

“Embora o processo de vacinação já tenha iniciado, ainda não temos segurança total para nos permitir um relaxamento. A pessoa só poder permanecer sem máscara no banho, no acesso à piscina e quando estiver se alimentando ou bebendo. Mas continuamos com as orientações para manter o distanciamento, evitando o risco de infecção”, explica Ernildo Ramalho, presidente da AABB em Marabá.

As medidas mais rígidas tomadas foram em relação aos quiosques, que têm uma grande procura pelos usuários e está com redução de 50% na capacidade e eventos acima de quinze pessoas não estão sendo autorizados.

“A sauna é um espaço que também teve redução no número de pessoas e o horário de funcionamento diminuiu”, ressalta Ramalho.

Ernildo finaliza relembrando as aglomerações que eram frequentes até o início de 2020, com realização de grandes eventos e uma grande quantidade de frequentadores no clube. “Esse é um quadro que ainda não temos segurança para retornar. Vamos aguardar a população toda estar vacinada”, finaliza.

A AABB Marabá serviu para levantar o astral da pequena Valentina Rosa, 9 anos. A menina foi levada pelos pais, Jairo de Morais Teixeira, 39, e Bárbara Rosa Teixeira, 36, ambos servidores públicos e moradores da Folha 29, mas sócios do clube. “Está sendo divertido. Quando teve o primeiro lockdown, fomos para a chácara dos meus pais para ficarmos isolados, porque é muito difícil passar todo o tempo apenas dentro de casa”, destaca Jairo. E o banho de piscina e o parquinho fizeram a tarde de Valentina muito mais divertida no último domingo. 

Atividade física ao ar livre (com máscara)

Seja no início da manhã ou no final da tarde, as pistas de caminhada, a orla e diversas ruas são alguns dos lugares que as pessoas têm encontrado para praticar atividade física, mantendo o distanciamento social e aproveitando o período do verão para fugir do calor de dentro de casa.

Um desses locais escolhidos por uma parcela dos adeptos da caminhada é a pista de caminhada do Rotary, entre as folhas 19 e 29, na Nova Marabá. Por lá, crianças, jovens, adultos e idosos dividem o espaço durante as passadas.

Com o fluxo intenso de pessoas, é preciso cuidado, mesmo ao ar livre. O uso de máscara é essencial para se manter protegido e longe da covid-19.

Grávida do primeiro filho, Mirleni da Silva, de 26 anos, sabe da importância do uso da máscara e da atividade física. “Sempre pratiquei atividade física. Antes fazia academia e era ciclista. Agora com a gravidez preferi fazer caminhadas, me falaram que é bom para o parto”, conta.

Na reta final da gravidez – ela está com oito meses – Mirleni trabalha no ramo de cabelos e bronzeamentos e afirma que mantém o cuidado redobrado com máscara e álcool em gel.

“Gosto muito de ir pra praia, mas com o final da gravidez, tenho ficado mais em casa. Saio só para trabalhar e fazer minha caminhada, sempre de máscara”, explica.

Outro exemplo de bons hábitos e cuidados redobrados durante a pandemia é dona Neusa Soares, 79 anos. A maranhense afirma que durante boa parte da infância e juventude quebrava coco, andava muito na roça e sempre foi muito ativa nos serviços de casa.

Há quatro anos, em uma visita de rotina ao médico, ela foi informada pelo especialista sobre a necessidade de caminhar. “Tenho colesterol alto e pressão alta. Ele disse que eu tinha que fazer caminhada e agora só vou parar quando eu morrer”, conta, super simpática.

Nesse tempo todo de caminhada, ela diz que conheceu muita gente. Feliz da vida ela conta que quase todo mundo que passa a cumprimenta.  

“Atividade física faz bem para a cabeça. Eu também faço crochê o dia todo, não fico para não. Eu capino meu quintal, nunca paguei ninguém pra limpar. Lá em casa faço tudo”.

Incentivadora da prática, dona Neusa já tentou levar as vizinhas para fazer companhia pra ela durante as caminhas, mas resistem. “Digo que tem umas velhinhas mais velhinhas que eu que caminham devagarzinho, mas elas não querem vir. Eu gosto muito de caminhar. Além disso, cuido da minha alimentação e faço tudo direitinho do jeito que o médico me passou”.

Praia do Lençol inova fazendo delivery por meio de quadriciclos

Uma das praias mais encantadoras, perto de Marabá, tem muita areia para evitar aglomerações e o Rio Tocantins é raso, para felicidade das crianças

Há mais de três décadas Manoel Francisco Pereira de Sousa Leal tem um pedacinho do céu pra chamar de seu. Às margens do Rio Tocantins, o ex militar conseguiu unir o lar e o local de trabalho num lugar só.
A história desse maranhense trabalhador começa lá nos anos 80, quando teve de servir o Exército e veio morar em Marabá. Depois de dois anos no serviço militar, Manoel seguiu para Goiânia.

Contudo, nesse período ele já havia iniciado um namoro com Erismar. O relacionamento, então, foi por muito tempo por correspondência, já que a moça morava em Marabá. “Inclusive eu casei por correspondência. Pedi ela em casamento por telefone ao pai dela. Mandei os documentos para os meus pais assinarem, mandamos de volta e casei. Quando retornei para Marabá foi pra casar e oficializar na igreja, com a presença do padre”, relembra.

O matrimônio aconteceu em meados de 1985, nessa época, Manoel abriu um pequeno comércio na cidade e trabalhava com açougue. A esposa, que era professora, começou a estudar e em pouco tempo se formou no curso de Pedagogia.

“Nesse intervalo que ficamos juntos, antes dela falecer, conseguimos essa terra aqui. Tem doze anos que ela morreu e nos deixou um casal de filhos, Irla e Elionay”.

A terra que seu Manoel se refere é o assentamento PA Mãe Maria ou Comunidade do Bacabalzinho, que fica localizado no município de Bom Jesus do Tocantins. A área que antigamente era uma fazenda, teve seu processo de legalização em 1989, onde cerca de 92 famílias foram assentadas na época.

Segundo seu Manoel, hoje existem mais de 600 pessoas naquela área. “Aqui dá pra gente eleger dois vereadores tranquilamente. Passamos mais de 20 anos sem nenhum representante aqui da região. Há um tempo atrás conseguimos eleger um vereador da Comunidade Bacabalzinho, que lutou e melhorou muito aqui”, afirma.

Atualmente, a comunidade está sem representante, e Manoel garante que as famílias estão sentindo algumas dificuldades por conta disso, já que não há alguém no governo que possam cobrar melhorias para o assentamento.

Quando tudo começou
No período do assentamento nem todos tiveram o privilégio de ficar com uma parte do rio nos fundos do terreno. Aliás, dos mais de 90 assentados, apenas 10 famílias possuem parte da área que fica banhada pelo rio.
Cada uma das famílias que possuem terra onde passa o Rio Tocantins, também tem sua demarcação na faixa de areia. “Cada um tem seu limite e sua parte de praia, uns tem 100 metros, outros 200 metros e por aí vai”, explica.

“Quando cheguei aqui, em 1989, só tinha uma ‘croinha’, um pequeno espaço de areia, que era onde os barcos paravam para as pessoas embarcarem. Com o tempo foi aumentando e aí virou essa praia. Aqui era onde os tracajás desovavam”, relembra.

A ideia de fazer do local um ponto turístico e um trabalho rentável surgiu através de amigos de Manoel que frequentavam o local e o incentivaram. Sem saber por onde começar e que rumo tomar, os amigos o ajudaram a fazer a estrada manualmente, para que tivesse um caminho um pouco mais acessível até o rio.

“E deu certo, as pessoas começaram a vir, começou a encher e o espaço foi ficando pequeno. Um tempo depois as máquinas da prefeitura vieram e começaram a fazer o caminho da estrada”.

A exploração turística da praia começou há cerca de 25 anos, quando nasceu a Praia do Lençol. No início, Manoel só trabalhava com a cobrança das entradas e as barracas. Tempos depois abriu espaço para a comunidade trabalhar no local, com vendas de água de coco, salgados e almoços.
Depois que Irismar faleceu – ela teve um acidente vascular cerebral – Manoel casou novamente. Maria Lúcia Leal morava em Goiânia e afirmou que só viria morar em Marabá se ela tivesse um lugar para trabalhar.
Chefe de cozinha, ela passou a assumir o comando das panelas e sabores da praia de Manoel. O marido abriu um restaurante no meio das areias para a mulher. Barraca de palha, madeira, tudo bem rústico, mas as autoridades ambientais, em 2020, pediram para que Manoel não ficasse com o restaurante lá embaixo, pois é Área de Preservação Permanente (APP).

Praia do Lençol I
Com 25 barracas e 10 funcionários – sendo 3 deles da comunidade e 7 parentes – a praia é um dos locais mais procurados durante todo o veraneio. Na Praia do Lençol não é cobrado taxa de entrada, como acontece em outros locais.

 
Segundo Manoel, a promotora Josélia Lopes, titular das questões ambientais, proibiu a cobrança das entradas. “Estou respeitando o que ela disse. Na Praia do Lençol não é cobrado. O cliente só paga o que consumir”.
Com um cardápio variado comandado pela esposa Maria Lúcia, no restaurante da praia é oferecido galinha caipira, tucunaré, tambaqui, carne de sol e frango a passarinho. Além disso tem salgados em geral. “Com o dinheiro economizado na entrada, os clientes comem um salgado com café, tomam um refrigerante”.

O que mais chama atenção dos frequentadores da praia, além do carisma inconfundível de seu Manoel, é a forma como são feitas as entregas de bebidas e alimentos.

Com dois quadriciclos, o trabalho na praia é totalmente delivery. Onde o banhista estiver, é só ligar para o número disponibilizado que a entrega é feita no local.

“Começamos aqui com duas carroças, mas aí veio a Defesa Civil e disse que era proibido. Aí começamos a utilizar a caminhonete, mas queimei uns dois discos de embreagem, e aí não dava né?! Foi quando me falaram do quadriciclo. Em 2020 comprei um, e agora em 2021 comprei outro”, explica sobre o empreendedorismo e inovação no serviço.

O carisma, que falamos anteriormente, é um dos pontos fortes de quem vai e retorna à Praia do Lençol. Seu Manoel diz que é uma satisfação tratar todo mundo bem. “Quando eu faço alguém feliz, fico mais feliz do que a pessoa. Quando eu faço alguém triste, fico mais triste do que a pessoa. Meus funcionários são treinados a tratar todo mundo bem. Nós precisamos dos fregueses”.

Com o aumento da demanda, o empreendedor sabe que precisa fazer algumas mudanças. Um restaurante está sendo construído na parte de cima do terreno. Com área climatizada, Manoel visa atender os clientes não só no verão, mas durante o ano todo.

“Essas praias são as mais bonitas de Bom Jesus e Marabá”, finaliza.
Segundo Manoel, a Comunidade do Bacabalzinho possui 9 praias: Praia do Anjo, Praia do Murici, Praia do Sossego, Praia do Amor, Praia do Lençol I e Praia do Lençol II, Praia do Pedral, Praia do Bacabalzinho e Praia do Cari.


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Publicado em 16 de julho de 2021.

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