Quem promove logística reversa em Marabá?

Por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, destacamos empresas que utilizam um valioso instrumento de desenvolvimento econômico e social

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Você sabe o que pilhas, baterias, pneus, aço, óleos lubrificantes e embalagens de agrotóxicos têm em comum? São produtos que, obrigatoriamente, precisam ser coletados e encaminhados à devida reciclagem após serem usados. A logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social da Política Nacional de Resíduos Sólidos e, apesar de ainda ser uma prática tímida em Marabá, vem sendo bastante disseminada no país e está se tornando cada vez mais conhecida dentro do ambiente empresarial.

Muita coisa que vai parar no lixo poderia ser reutilizada. É o que conta o professor da UEPA em Marabá Rodrigo Rangel, engenheiro de produção com mestrado na área de logística e transporte. Ele observa que os estudos da logística reversa visam reduzir o impacto ambiental, buscando o desenvolvimento sustentável.

Conforme a legislação estabelecida em 2010, quem gera resíduos sólidos é responsável pelo gerenciamento adequado desses. ‍Empresas fabricantes de produtos comercializados em embalagens, de uma maneira geral, costumam implementar este sistema, uma vez que geram uma grande quantidade de resíduos e o setor possui forte regulamentação.

“A logística reversa do pós-consumo é o tratamento pelo qual o material que já foi consumido passará. Este produto, então, sofrerá uma separação do que ainda pode ser utilizado, para, através do processo fabril, voltar a circular no meio ambiente e cumprindo mais um ciclo”, explica.

Rodrigo conta que há inúmeras formas deste processo no nosso cotidiano. Um exemplo é a campanha Lixo Zero do Ministério do Meio Ambiente, que torna lei a existência de um recipiente em farmácias, para a destinação de remédios vencidos. Esses medicamentos voltarão para a indústria e, posteriormente, ao ciclo de consumo.

Professor da UEPA em Marabá, Rodrigo Rangel explica as etapas da logística reversa

O Brasil também está entre os principais geradores de alguns resíduos perigosos, como o lixo eletrônico, ocupando o 5° lugar no ranking mundial.

A função de cada setor neste acordo ficou estabelecida da seguinte forma:

• Consumidores: devolver os produtos que não são mais usados em postos (locais) específicos.

• Comerciantes: instalar locais específicos para a coleta (devolução) destes produtos.

• Indústrias: retirar estes produtos, através de um sistema de logística, reciclá-los ou reutilizá-los com a ajuda de cooperativas.

• Governo: criar campanhas de educação e conscientização para os consumidores, além de fiscalizar a execução das etapas da logística reversa.

Do solo de volta à indústria

Mensalmente, 13 mil kg de produtos são devolvidos por consumidores na sede da ACIAMAR

Poucos sabem, mas a Associação do Comércio de Insumos Agropecuários de Marabá e Região, localizada no Km 09 do Distrito Industrial, em Marabá, é um posto de recebimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Responsável pela coordenação do espaço, o engenheiro agrônomo Willen Carles Souza afirma que, mensalmente, 13 mil kg de produtos como tampas e outras sobras são devolvidos por consumidores.

O prédio, que foi fundado em 2007, dispõe de instalações adequadas para seu recebimento e armazenamento, até o momento em que são recolhidos pelas empresas titulares do registro, produtoras e comercializadoras, responsáveis pela destinação final dessas embalagens. Trata-se de um galpão que separa cada produto por sessão.

Até mesmo o cuidado com os insumos agropecuários vencidos é tomado. Em um ambiente gradeado, os potes ficam dispostos, separados dos demais. Willen explica que com o passar dos anos, a quantidade de materiais tem aumentado gradativamente, tanto que a construção de um novo galpão já está prevista para o ano de 2024.

Começo, meio, fim... E tudo de novo

Supermercado Líder, em Marabá, tem local adequado para descarte de pilhas usadas

As pilhas e baterias podem ser classificadas de diversas formas, dependendo do formato, composição e sua finalidade. Os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes dessas devem disponibilizar aos consumidores locais para o recebimento das pilhas e baterias inservíveis.

Os consumidores que desejam descartar suas pilhas precisam levá-las até o ponto de entrega mais próximo, onde serão armazenadas e, ao atingir determinada quantidade, serão encaminhadas para o sistema de coleta e triagem.

A reportagem deste CORREIO foi até o Varejão das Baterias, que é um ponto de entrega primário e está situado na Avenida Antônio Maia, no núcleo Marabá Pioneira. Lá, no momento de trocar a bateria do carro, o cliente recebe um incentivo em desconto no produto novo, para deixar o velho em um armazém disposto ao fundo da loja.

Mas, há pontos de entrega secundários também, como é o caso do supermercado Líder, com relação à pilha. O estabelecimento comercial disponibiliza coletores para receber, de forma gratuita, o material descartado pelo consumidor doméstico e também de pequenos estabelecimentos cadastrados como pontos de entrega primário.

Dos pontos de entrega e de triagem e consolidação o material é transportado para empresas de reciclagem.

Quando descartadas de maneira inadequada, essas pilhas e baterias podem, dependendo da composição, causar a contaminação do solo e da água com metais pesados. Esses materiais químicos são capazes de causar doenças renais, cânceres e problemas relacionados ao sistema nervoso central.

Pequenas gotas de destruição

O óleo lubrificante usado ou contaminado é um resíduo de característica tóxica e persistente, portanto, perigoso

O Posto Rede 10 Shell é uma opção em Marabá, em que o importador garante a coleta do óleo lubrificante dos veículos para dar a destinação final correta do produto usado ou contaminado, respeitando a proporção do produto acabado que coloca no mercado.

O óleo lubrificante usado ou contaminado é um resíduo de característica tóxica e persistente, portanto, perigoso para o meio ambiente e para a saúde humana se não gerenciado de forma adequada. A prática tecnicamente recomendada para evitar a contaminação ambiental é o envio do óleo lubrificante usado para reciclagem e recuperação de seus componentes úteis, por meio de um processo industrial de refinação. Após o processo, a essência oleosa volta a sua cadeira produtiva.

A responsabilidade pela regulação e fiscalização do mercado de óleo no país é atribuição da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Gás Natural e Biocombustíveis.

Rodrigo explica que a ANP disponibiliza de forma interativa o Painel Dinâmico do Mercado Brasileiro de Lubrificantes. Neste Painel estão disponíveis os dados referentes à comercialização, produção, municípios com coleta, refinação de lubrificantes, agentes autorizados e/ou revogados e localização geográfica das instalações do setor. É uma ferramenta de análise destinada a empresas, órgãos de governo, universidades, imprensa e à sociedade como um todo.

PROTEGENDO O MEIO AMBIENTE

O descarte inadequado de óleo lubrificante usado ou contaminado no solo e nos cursos de água geram graves danos ambientais. A combustão desse produto usado gera gases residuais nocivos ao meio ambiente e à saúde pública.

O produto possui diversos elementos tóxicos, como cromo, cádmio, chumbo e arsênio, que podem causar graves problemas a saúde incluindo danos ao sistema nervoso.

Os consumidores que desejam descartar suas pilhas precisam levá-las até o ponto de entrega mais próximo, onde serão armazenadas e, ao atingir determinada quantidade, serão encaminhadas para o sistema de coleta e triagem.

A reportagem deste CORREIO foi até o Varejão das Baterias, que é um ponto de entrega primário e está situado na Avenida Antônio Maia, no núcleo Marabá Pioneira. Lá, no momento de trocar a bateria do carro, o cliente recebe um incentivo em desconto no produto novo, para deixar o velho em um armazém disposto ao fundo da loja.

Mas, há pontos de entrega secundários também, como é o caso do supermercado Líder, com relação à pilha. O estabelecimento comercial disponibiliza coletores para receber, de forma gratuita, o material descartado pelo consumidor doméstico e também de pequenos estabelecimentos cadastrados como pontos de entrega primário.

Dos pontos de entrega e de triagem e consolidação o material é transportado para empresas de reciclagem.

Quando descartadas de maneira inadequada, essas pilhas e baterias podem, dependendo da composição, causar a contaminação do solo e da água com metais pesados. Esses materiais químicos são capazes de causar doenças renais, cânceres e problemas relacionados ao sistema nervoso central.

Mão na roda com reciclagem de pneus

O óleo lubrificante usado ou contaminado é um resíduo de característica tóxica e persistente, portanto, perigoso

As duas lojas do Centro Automotivo DePneus Continental é uma opção de logística reversa de pneus inservíveis em Marabá. Como explica o sócio-diretor da empresa, Bartholomeu dos Santos, há alguns anos foi implementada uma parceria com a empresa Marabá Reciclagens, para que as unidades, em prol do meio ambiente, incentivassem através de campanhas, seus clientes a deixarem os pneus usados, no momento de trocar por novos.

“Uma vez ao ano, nós lançamos uma promoção que dura cerca de três meses, para que o consumidor pague menos pelo produto novo, com a condição de colaborar com esse sistema de logística reversa”, relata.

Em um galpão seco e fechado, os pneus são dispostos de forma adequada, onde aguardam até que um caminhão da Marabá Reciclagens passe e busque-os. Quando descartados impropriamente, podem resultar em sério risco ao meio ambiente e à saúde pública. O ideal é que este resíduo seja destinado o mais próximo possível de seu local de geração, de forma ambientalmente adequada e segura.

Barthô explica que as lojas DePneus Continental praticam logística reversa de pneus inservíveis em Marabá

Barthô ressalta que, muitas vezes, o condutor do veículo leva o pneu gasto a um borracheiro para transformá-lo em um estepe. Isso é arriscado, considerando que, majoritariamente, esse produto pode ser erroneamente descartado no aterro sanitário. A desinformação é uma das principais causas do despejo equivocado.

Os riscos vão de dificuldade na biodegradação, levando centenas de anos para se degradar na natureza, foco do mosquito Aedes Aegypt, transmissor da denque, chikunguya e zika, até o grande volume gerado de pneus inservíveis.

Da sucata à economia circular

Sinobras tem um espaço exclusivo para armazenamento de resíduos sólidos

As empresas do Grupo Aço Cearense trabalham com atenção no gerenciamento de seus resíduos e controles legais ambientais, com o objetivo de garantir o melhor desempenho, o pleno acompanhamento das destinações e reduções dos resíduos gerados, bem como o cumprimento de todas as obrigações legais.

O grupo é o maior reciclador de aço do Norte-Nordeste brasileiro e trabalha sob a ótica da economia circular. A coordenadora ambiental da Sinobras, Junimara Chaves, explica que a produção do aço é feita com 70% de sucata e 30% de ferro-gusa líquido. A Sinobras Florestal, outra empresa do grupo localizada em São Bento do Tocantins (TO), é fornecedora de redutor bioenergético, com 15 fazendas próprias de plantio de eucalipto, em uma área de 25 mil hectares. A empresa conta com duas Unidades de Produção de Redutor Bioenergético com capacidade produtiva de 25.500 metros cúbicos.

Possui 46 fornos retangulares que mitigam os impactos ambientais e produzem o redutor bioenergético que é utilizado pela siderúrgica em Marabá. Contribuindo para o incremento socioeconômico da região, a Sinobras Florestal gera cerca de 200 empregos diretos e, por ocasião do plantio, outros colaboradores são somados para operações sazonais.

O uso consciente de recursos naturais é uma diretriz importante da Sinobras Florestal, que adota uma postura de responsabilidade com os valores ambientais e sociais, que vão desde o cuidado com o meio ambiente até a melhoria na qualidade de vida das pessoas da região onde atua.

Junimara Chaves, explica que a produção do aço é feita com 70% de sucata e 30% de ferro-gusa líquido

Na Sinobras, no processo de sinterização são reaproveitados os coprodutos gerados durante a produção do aço, que gera o sínter, matéria-prima utilizada como parte substituta do minério de ferro na produção do gusa.

A logística reversa é outra prática de preservação ambiental realizada no Grupo Aço Cearense, aplicada em baterias, que, após o final de sua utilização, são encaminhadas para o fabricante e recebem destinação correta. Da mesma forma acontece com os pneus, que são encaminhados para ecopontos.

A destinação de óleos lubrificantes após o uso é feita com o rerrefino de óleo lubrificante usado ou contaminado (oluc). Esse processo transforma o óleo usado em óleo básico novamente, por meio de empresas parceiras, evitando que esse resíduo perigoso seja descartado no meio ambiente.

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ESPECIAL LOGÍSTICA REVERSA

Publicado em 5 de junho de 2023

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